É com muita alegria que inauguro este espaço para compartilhar com vocês histórias e gente que ” Deu Certo!”  Esse é o título que escolhi para a minha coluna, porque é isso que buscamos, o resultado do bem, as conquistas, o olhar positivo da vida em meio a tantas atribulações, homens e mulheres que com seu trabalho, fé e coragem se tornam vencedores em seus meios de atuação.

Meu primeiro convidado é um empresário do qual eu tenho orgulho de chamar de amigo e possuo admiração profunda pela sua trajetória. Empresário do Toquinho e proprietário da Circuito Musical que faz inúmeros shows pelo Brasil e exterior com seu artista e parcerias com outras feras da MPB. Genildo de Oliveira Fonseca ou Genildo Fonseca,  para os mais próximos simplesmente GÊ! 

Genildo, como você começou sua trajetória na cultura e entretenimento?

Sempre gostei de música e teatro. Quando criança, não perdia um novo espetáculo de circo que chegava à cidade, mesmo que fosse para vender doces em troca da entrada. Em Echaporã, minha terra natal, assistia a Cascatinha e Inhana, Mario Zan (de quem fiquei amigo décadas depois). Aqui na capital, adolescente, aos 13 anos, fazia locução no programa de calouros “Alegria no clube” (1958). Em São Miguel Paulista, me envolvia com atividades culturais do bairro, estudava esperanto, participava da fanfarra e fazia teatro infantil. Eu gostava de estar metido nessas coisas, mas sem deixar o trabalho da fábrica e de engraxate nos fins de semana. Acabei por me tornar empresário do Marinho Marcos (ou Mário Lúcio, na época), um garoto prodígio, que cantava e tocava violão de forma impecável. Ele comandava o programa I Festival da Música Infantil (1961), na TV Bandeirantes e participava da Miniguarda, ao lado de Ed Carlos. Aí também passei a acompanhar o irmão mais velho, Antonio Marcos, meu colega de ginásio, que se aventurava nos programas de calouros.Entre fazer jornalismo e carreira diplomática, optei por Direito e entrei na USP em 1966, quando eu e Antonio Marcos alugamos com mais três amigos uma quitinete na Baixada do Xangai. Antonio Marcos fazia parte do quarteto “Os Iguais”, que chegou às paradas com a música “A partida”. Eu dividia o tempo entre acompanhá-lo e vender livros de coleção. Assim que o conjunto se desfez, surgiu o convite para ele gravar sozinho na RCA, onde lançou, em 1969, o primeiro compacto simples. Aí me tornei seu empresário; o primeiro compacto não deu certo, mas o segundo, com música de Roberto e Erasmo (“Eu tenho um amor melhor que o seu”), foi sucesso nacional. Conciliava as viagens com a faculdade. Abri em 1969 meu primeiro escritório: 907 Promoções Artísticas, que também representava Taiguara e outros artistas em começo de carreira. Acho que estou no mercado há 50 anos!

Como é dirigir a carreira um dos maiores artistas da nossa MPB, falando do querido Toquinho? É um privilégio trabalhar com um artista tranquilo, realista, que nem se encanta com o sucesso nem se incomoda com eventuais tropeços. Sabe levar a vida sem sofrimento. Fica mais fácil administrar. Na Circuito, cuidamos de praticamente tudo o que diz respeito à sua carreira: da edição das músicas, da produção dos shows, dos projetos de patrocínio, e como produtor acompanho seu dia a dia nas entrevistas, programas de TV e viagens nacionais e internacionais, que sempre transformamos em algo confortável, sem estresse.

Nesse tempo todo de estrada, quais os maiores desafios que você já enfrentou e como fez para superá-los? Acho que o maior desafio foi reiniciar tudo em 1974, quando deixei de trabalhar com Antonio Marcos, no auge de sua carreira, em uma decisão amigável. Outro momento crítico foi quando deixei a gerência de produção da gravadora 3M. Com mais de quarenta anos, sem inglês fluente, sem dirigir e não querendo imediatamente voltar para a música, me afastei do mercado sonhando com algo mais aprazível, ligado ao meio ambiente. A ideia era me dedicar à apicultura. Sei que depois de três meses, sem sucesso na empreitada, foi difícil enfrentar a barra em São Paulo. Acabei voltando ao meio artístico, na programação da Sociedade Hípica Paulista.

O que é sucesso para você?  Sucesso é, antes de tudo, bem estar! Estar de bem com a vida. É um conjunto de valores, como reconhecimento, tanto de seus pares como do público pelo que se faz. Ele requer atenção para não virar comodismo e muita autocrítica para não virar vaidade. É uma conquista diária que requer aprimoramento constante.

No cenário atual, quais as adaptações que o ramo do entretenimento precisa fazer para ter resultados positivos? Todas as atividades precisam ser recicladas continuamente. A revisão de valores, a busca de novas técnicas, o encontro de parcerias, a conquista de novos espaços. Em nossa atividade, que passa por rápidas transformações, é preciso estar muito atento para não desperdiçar o que foi conquistado e criar novas áreas de atividades. É preciso prestar muita atenção aos sinais, estar de antena ligada o tempo todo e também não embarcar nos cantos da sereia!

Você participa da ABMI, qual a importância de associações como essa? A ABMI é uma instituição que congrega produtores e artistas em busca de novas tecnologias e mídias, através de debates, seminários e mudanças de legislação para facilitar acordos e disponibilizar ferramentas para que seus associados se posicionem no mercado nacional e internacional. Foi fundada em 2002 por produtores fonográficos independentes e tem uma lista importante de conquistas para o setor.

Um sonho a realizar….  Gostaria muito de ver nosso país livre da corrupção, acompanhado de um projeto sério na busca de educação de qualidade para uma transformação criativa em busca de um mundo melhor. Esse sonho me ajudaria a ver um futuro mais digno para os pequenos cidadãos que estão chegando agora. Estamos envergonhados e sem esperança!

Uma saudade….  Saudade sempre se tem de um tempo bom – como andar descalço no meio do mato, jogar bolinha de gude e pião, quando acreditávamos em disco voador e assistíamos ao Flash Gordon.

Como você descreve o cenário atual da Musica Popular Brasileira…. A música brasileira é uma colcha de retalhos. Um amontoado de tendências. É como se houvesse um rio perene em seu leito tranquilo que parece sufocado por afluentes, cachoeiras e pororocas.Tudo faz parte da paisagem: a música para ouvir, pular, dançar. Lembrar e principalmente a música para esquecer – aquela que você só aguenta ouvir uma vez.

Três dicas importantes para quem se arrisca e quer vencer no meio artístico. Não há fórmula para o sucesso, mas é importante:

a) Criar algo em que você realmente acredita;

b) Dedicar-se pra valer à sua profissão;

c) Fazer melhor a cada dia seu trabalho e conhecer as ferramentas para implantá-lo.

Contato: (11) 5071-9555 – circuito@circuitomusical.com

 

Bem queridos, espero que tenham gostado, logo mais publico mais uma dessas histórias maravilhosas de gente que  fez e faz acontecer, para pode der dizer,  DEU CERTO!

Namastê!

Michele Vanzella