Ele é Maestro do Programa do Jô, pianista, dotado de uma genialidade musical que nos primeiros acordes já se identifica. Sua sensibilidade é alma que se manifesta na música. Osmar Barutti, conversou longamente comigo, sempre trocamos muitas ideias, e mais que um profissional da música que admiro, é um ser humano impecável que tenho orgulho de chamar de amigo. E assim ele contou um pouquinho da sua história de vida, ele é pura harmonia.

Fotografia: Tomas Kolisch Jr.

 

Osmar, como e quando você se interessou pela música? Aos 4 anos de idade, ganhei uma flauta do meus pais, simples, mas foi com ela que comecei a tirar musica de ouvido,  e com os discos do meu pai, que embora não fosse musico, era um apaixonado pela música, escutava erudita, popular, jazz. O bom gosto dele e a sua sensibilidade me influenciaram, em um repertório que ate hoje eu escuto. Com 5 anos eu já tocava várias de ouvido, morava em São Caetano, passou uma banda na rua, tocando uma música que eu sabia tocar também, fui buscar a flauta e abri a porta da casa e fui tocar com a banda na rua, fui ficando com eles, na praça… e senti a energia daquele momento, isso que ficou em mim.

 

Você morou fora do país, qual a diferença de tocar no exterior e no Brasil? Se for para tocar musica brasileira, gosto de tocar no Brasil, com o swing  dos músicos brasileiros. Para tocar jazz eu escuto e toco com alguns músicos americanos. Mas a minha linguagem  é popular, embora tenha estudado erudito em Berklee School of Music em Boston, prefiro tocar a música brasileira. A brasileira e a música latina são muito admiradas e respeitadas pelos músicos do jazz em todo mundo, como fonte de inspiração. Opto pelo popular,  escolha de coração que me deixa mais próximo do publico e da simplicidade, como sou.

 

Ser Maestro do Jô Soares durante tantos anos, como isso começou e o que isso significa na sua vida? Eu fui substituir o Maestro Edmundo Vilani Cortes, em 1991 no SBT. Ficamos la 9 anos, tem sido um aprendizado constante, pois no programa passam músicos de todas as formações, recentemente foram os compositores do samba, Zeca Pagodinho, Martinho e Martinalia, isso faz com que eu tenha que estar sempre conhecendo as novidades das produções, é desafiador, sou muito grato por tudo o  que tenho visto la. E um programa de entrevistas, onde a musica tem um papel importante e viramos personagens do programa. Me reconheceram nos EUA pela TV Globo,  fui pra Austrália e aconteceu o mesmo.  E o prazer de acompanhar um dos meus ídolos, Emilio Santiago, foi uma das ultimas vezes que ele gravou. Bateu a mão no coração, olhou com agradecimento, isso também me marcou.

Uma história engraçada que você viveu nesses anos…  Tem uma história, eu conto como engraçada mas no momento foi constrangedor. Eu entrei no supermercado e na hora para entrar na fila do caixa, tinham três pessoas, a última era uma senhora que me olhou várias vezes dos pés a cabeça e cochichou com a outra e saiu da fila. A que ficou, disse: ” se eu fosse você passaria que ela vai demorar” , a outra que tinha saído veio gritando e disse esse lugar é meu, vou passar mesmo . Ah só  porque toca na televisão acha que é o que?  Na hora foi constrangedor, depois eu dei muita risada… o que eu fiz pra ela? Porque trabalho na TV … rsrs

 

Um sonho a realizar… Eu fui compondo muitas músicas, para serem tocadas durante o programa do JÔ, não me dei conta do quanto havia escrito canções instrumentais, são mais de 100. Agora em 2016 quero selecionar umas 15 músicas e tocar em shows, todas autorais. No programa é muito rápido, são , 15, 20 segundos de introdução, e o público quer ouvir ela inteira.

 

Quais seus maiores ídolos na musica nacional e internacional?  Nacional: sempre ouvindo os cantores como Emilio Santiago, Renato Bras que é um cantor de SP e gosto muito do trabalho dele. Cantoras Eliz Regina sempre… Fatima Guedes, Rosa Passos. No dia 03 dezembro eu vou tocar numa maratona musical com 25 músicos que começa as 19:00 e vai ate as 21:30 homenageando uma pianista brasileira que admiro chamada Magda Tagliaferro que tocou no mundo todo  a qual eu fui aluno da escola que era referencia durante uns 7 anos. Internacional: Kurt Ellien e um pianista chamado Chick Corea. Mulheres…  a cantora Gretchen Parlato.

 

Ser um bom músico é….  Presente de DEUS, um desafio eterno!

 

Uma trilha para embalar tua vida?  Vou escolher um compositor erudito, chama-se Mozart, todas as trilhas dele, embalam a minha vida.

 

Na educação de um país, a música tem influência? Totalmente … Heitor Villa Lobos, tinha um sonho, educar nas escolas musicalmente, com formação de grandes corais. A musica educa, tem que ouvir o outro, tem estar junto, tem conectar. Existe uma pesquisa nos EUA , durante 20 a 30 anos, acompanhando crianças que tiveram aula de musica, aprenderam a tocar a cantar, e um grupo que não teve aula de musica. A diferença depois de 20 anos, os que tiveram musica na educação, se destacavam nas suas escolhas profissionais mesmo não sendo músicos. E foi concluído que a musica afina o cérebro, a lógica, reflete na forma de você aprender. Aqui em SP o Bacarelli foi um musico que tocava em orquestra e um dia ele presenciou um Incêndio na comunidade de Heliópolis, e ele ficou muito triste vendo as crianças carentes e teve um chamamento, foi ate a escola da comunidade e se colocou a disposição de ensinar e formar uma orquestra. E ele começou com 20 crianças, solicitou a diretora que enviasse as mais habilitadas, e no final do ano fizeram a apresentação com a orquestra, foi surpreendente, ainda mais porque a professora confessou que enviou as 20 que tinham mais dificuldades,  se tornaram lideres na comunidade, a musica os transformou totalmente. E hoje essa orquestra é existe é famosa, internacional e se chama Orquestra Sinfônica de Heliópolis. .

 

Você em uma frase..,  O que busca. ” Deus abençoa sempre as mãos que procuram, não somente as que encontram.”

Nos vemos na próxima, com mais uma história que DEU CERTO!
Namastê,
Michele Vanzella